Mais de 82 mil eleitores anularam voto ao digitar 13 ou 22 para governador no ES

Dados do TSE revelam protesto silencioso nas urnas capixabas; 50 mil eleitores anularam voto com o número 13 no segundo turno da eleição estadual.

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Mais de 82 mil eleitores anularam voto ao digitar 13 ou 22 para governador no ES
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Blog Gran Cursos Online, Folha Vitória, G1, SBT News, Século Diário). Novos desdobramentos a qualquer momento.

O segundo turno das eleições para o governo do Espírito Santo revelou um fenômeno curioso nas urnas. Mais de 82 mil eleitores optaram por anular seus votos digitando números de partidos que não estavam na disputa final. O pleito foi vencido por Lorenzo Pazolini (Republicanos), que alcançou 52,17% dos votos válidos, superando Ricardo Ferraço (MDB), que obteve 47,83%.

Os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, embora a abstenção tenha caído de 638.972 para 581.949 entre os turnos, o número de votos nulos cresceu. No primeiro turno, foram 126.401 anulações. No último domingo, esse montante subiu para 132.846. O aumento de 6.445 votos nulos destoa da redução observada nos votos brancos, que caíram de 110.040 para 64.871.

O peso do voto de protesto nas urnas

A maior parte dos votos nulos foi registrada por eleitores que digitaram o número 13 na urna eletrônica. Foram 50.546 pessoas que escolheram essa opção, mesmo com o PT, partido do número 13, fora da disputa do segundo turno. O candidato petista Helder Salomão, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno com 323.483 votos, não avançou para a etapa final.

A cidade da Serra concentrou o maior volume desse comportamento, somando 6.962 registros desse tipo. O PL, que não lançou candidato próprio ao governo, mas compôs a chapa de Pazolini com Eliane Leal como vice, também viu seu número ser digitado por 32.225 eleitores. Na Serra, o partido somou 3.641 votos dessa natureza. Esses números indicam uma parcela do eleitorado que preferiu marcar posição ideológica ou insatisfação, mesmo sabendo que o voto não seria contabilizado para nenhum dos dois finalistas.

Lorenzo Pazolini (Republicanos) venceu o pleito estadual com 52,17% dos votos válidos.
Lorenzo Pazolini (Republicanos) venceu o pleito estadual com 52,17% dos votos válidos. (Foto: Divulgação/TSE)

Fragilidades nas alianças partidárias

O cenário político capixaba viveu uma fragmentação intensa após o primeiro turno. Lideranças como Da Vitória (PP) e Marcelo Santos (União Brasil) foram fotografadas com Pazolini logo após o resultado inicial, apesar de terem firmado compromisso anterior com Ricardo Ferraço. A movimentação gerou mal-estar e denúncias de sabotagem interna, com acusações de que o ex-governador Renato Casagrande teria priorizado candidatos de seu próprio partido, o PSB, em detrimento dos aliados.

A falta de uma identidade clara na frente governista de Ferraço também pesou no resultado. O candidato do MDB tentou acenos ao eleitorado conservador, mas sua trajetória de oito anos de gestão progressista impediu que ele fosse totalmente abraçado por qualquer um dos polos ideológicos. O resultado foi uma dispersão de apoios que se refletiu na desidratação da candidatura ao longo do segundo turno.

Enquanto isso, a Federação Psol/Rede garantiu sua sobrevivência política ao atingir a cláusula de desempenho. O TSE arredondou para cima o percentual de 1,4912% obtido pela federação, permitindo que a sigla alcançasse o patamar mínimo de 1,5% necessário para manter o acesso ao fundo partidário e ao tempo de TV. A decisão garantiu a continuidade da legenda no cenário nacional.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

O pleito capixaba foi marcado pela desintegração de coalizões tradicionais e pelo fortalecimento de figuras com discurso de oposição à gestão anterior. A cláusula de desempenho, que exige que partidos alcancem uma votação mínima para ter acesso a recursos públicos, tornou-se o principal entrave jurídico para legendas menores, forçando federações a buscarem cada voto para evitar a extinção de seus direitos políticos.