Delegado perde a perna e relata caos na Operação Contenção, ação mais letal da história do Rio que deixou 122 mortos

Um ano após a megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, relatos expõem falhas em perícias, foragidos e o drama de sobreviventes.

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Delegado perde a perna e relata caos na Operação Contenção, ação mais letal da história do Rio que deixou 122 mortos
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Agência Brasil, Estadão, G1, ICL Notícias, VEJA). Novos desdobramentos a qualquer momento.

Um ano após a Operação Contenção, considerada a ação policial mais letal da história do Rio de Janeiro, os rastros de sangue, as falhas investigativas e o domínio do crime organizado continuam no centro do debate público. Realizada em 28 de outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte carioca, a incursão deixou um saldo oficial de 122 mortos, incluindo cinco policiais e 117 civis. Entre os sobreviventes da linha de frente está o delegado Bernardo Leal, que teve a perna direita amputada após ser baleado durante o confronto.

Leal relatou os bastidores dramáticos da emboscada em meio aos becos estreitos da região conhecida como Vacaria, no Complexo da Penha. O policial foi atingido após confundir um criminoso com outro agente das forças de segurança. Retirado às pressas sob forte tiroteio e transportado de moto até uma unidade de saúde, ele chegou ao hospital com apenas 3% de chance de sobrevivência. O delegado recebeu 30 bolsas de sangue, passou por sete dias em coma induzido e precisou de nove cirurgias para salvar a própria vida. Atualmente, ele planeja usar sua visibilidade para apoiar policiais feridos, moradores de comunidades periféricas e pessoas com deficiência.

Falhas na perícia e denúncias de abusos cometidos na incursão

Enquanto sobreviventes contabilizam sequelas físicas e emocionais, relatórios de organizações internacionais e órgãos de controle apontam graves lacunas na condução das investigações sobre as 117 mortes de não policiais. De acordo com a Secretaria Estadual de Segurança Pública, apenas os inquéritos referentes aos assassinatos dos cinco policiais — sendo três militares e dois civis — foram concluídos até o momento. Essas investigações resultaram no indiciamento de 12 pessoas, das quais nove são apontadas diretamente como autoras dos disparos e três como suspeitas de ordenar os ataques.

As mortes dos 117 civis seguem sob investigação inconclusiva na Polícia Civil e no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). Documentos de uma ONG internacional detalham que equipes de perícia foram mobilizadas para a Cidade da Polícia no final da manhã da operação, mas jamais foram enviadas aos locais dos óbitos. Relatórios apontam que corpos foram recolhidos por policiais sem a presença de peritos técnicos e levados para áreas desguarnecidas antes de serem entregues à Defesa Civil e ao Instituto Médico Legal. Entre os casos sob análise rigorosa do Ministério Público estão uma execução a curta distância e a decapitação de Yago Ravel Rodrigues Rosario, que teve a cabeça separada do corpo por um facão após ser baleado na região lombar.

Delegado Bernardo Leal sobreviveu após passar por sete dias em coma e nove cirurgias.
Delegado Bernardo Leal sobreviveu após passar por sete dias em coma e nove cirurgias. (Foto: Reprodução / Redes Sociais)

Complexos sob domínio do tráfico e migrantes do crime

Fora do eixo estritamente policial, investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) revelam que as favelas da Penha e do Alemão continuam operando como um verdadeiro escritório central para o Comando Vermelho. Líderes criminosos de outros Estados, foragidos da Justiça e jurados de morte em suas regiões de origem, utilizam a infraestrutura dos complexos cariocas como refúgio seguro. O coordenador do Gaesp, Fabio Correa, aponta que esses criminosos chegam a pagar até R$ 150 mil mensais por residências suntuosas e redes de proteção, administrando o tráfico de drogas e armas em seus Estados de origem diretamente da capital fluminense.

Entre os principais chefões do tráfico que continuam foragidos na região estão Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca ou Urso; Carlos da Costa Neves, o Gardenal; e Juan Breno Malta Ramos Rodrigues, o BMW. Autoridades de segurança pública admitem que as incursões armadas, isoladamente, não bastam para estancar o avanço das organizações criminosas. O foco atual das autoridades tenta migrar para a asfixia financeira e o corte de rotas de suprimento de fuzis e munições, enquanto facções rivais, como o Terceiro Comando Puro, expandem domínios por ao menos dez Estados brasileiros.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

A Operação Contenção foi deflagrada na madrugada de 28 de outubro de 2025 pelo governo estadual com o argumento de desarticular o núcleo duro do Comando Vermelho na zona norte do Rio de Janeiro. A ação resultou na maior letalidade policial da história fluminense, gerando forte pressão de organismos internacionais de direitos humanos sobre a letalidade policial, a transparência das investigações e a ausência de perícias adequadas em áreas de confronto urbano.