Câmara de SP aprova análise de impeachment contra o prefeito Ricardo Nunes

Vereadores acatam pedido com base no artigo 73 e no Decreto-Lei 201/1967 após corte de ônibus e denúncias de assédio a comissionados.

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Câmara de SP aprova análise de impeachment contra o prefeito Ricardo Nunes
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, Diário do Centro do Mundo, Folha de S.Paulo, ICL Notícias, Metrópoles). Novos desdobramentos a qualquer momento.

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou nesta quinta-feira a abertura da análise do pedido de impeachment contra o prefeito Ricardo Nunes (MDB). O processo foi protocolado pelas vereadoras Amanda Paschoal e Silvia, da Bancada Feminista, além do vereador Celso Giannazi, todos do PSOL. A denúncia aponta que a gestão municipal descumpriu ordens judiciais e cometeu abusos políticos graves durante o segundo turno das eleições municipais.

Os parlamentares fundamentam a acusação no artigo 73 da Lei Orgânica do Município e no Decreto-Lei nº 201/1967. O texto legal pune prefeitos que atentam contra a probidade administrativa e o cumprimento de decisões judiciais. A acusação central envolve a operação do transporte público coletivo no dia da votação da segunda etapa do pleito na capital paulista.

O cerceamento do transporte público e a ordem judicial descumprida

A ordem emitida pela 1ª Zona Eleitoral determinava que a Prefeitura de São Paulo disponibilizasse 100% da frota dos ônibus municipais para garantir o direito de deslocamento dos eleitores. No entanto, a investigação aponta que 30% da frota total ficou retida nas garagens durante o dia decisivo da votação. Na prática, a medida dificultou o acesso das famílias trabalhadoras às seções eleitorais e comprometeu a lisura do pleito.

A vereadora Amanda Paschoal destacou a gravidade da conduta da Prefeitura ao privar a população de um direito básico garantido pela Justiça Eleitoral. "A prefeitura sabotou o direito de ir e vir do eleitor trabalhador para beneficiar interesses políticos da gestão", afirmou a parlamentar durante os debates na Casa legislativa. O parecer técnico sobre a admissibilidade da denúncia deve ser expedido pela comissão especial em um prazo de até dez dias.

Prefeito Ricardo Nunes enfrenta processo na Câmara Municipal de São Paulo.
Prefeito Ricardo Nunes enfrenta processo na Câmara Municipal de São Paulo. (Foto: Reprodução / Câmara Municipal de SP)

Assédio político contra servidores comissionados

Além do transporte público, a denúncia de impeachment traz relatos detalhados de assédio eleitoral e abuso de poder político contra os servidores públicos que ocupam cargos comissionados na administração municipal. Conforme o documento protocolado na Câmara, trabalhadores relataram pressões diretas e ameaças de exoneração para que participassem ativamente de atos de campanha em benefício dos aliados do prefeito.

A situação configura uso indevido da máquina pública e da estrutura da Prefeitura para fins político-partidários. A pressão sobre funcionários públicos sem estabilidade empregatícia fragiliza a democracia local e transforma repartições públicas em comitês eleitorais. A comissão encarregada de avaliar o caso é composta pelos vereadores Rubinho, Major Palumbo, Helio, Luana, Kenji, Sandra Santana e Sandra Tadeu.

A articulação política e a pressão nas ruas

Os autores da iniciativa buscaram conectar o comportamento da gestão municipal ao cenário mais amplo da extrema direita nacional. Durante coletiva, Amanda Paschoal criticou a postura de aliados de Jair Bolsonaro na cidade e a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos após a derrota eleitoral. Para a parlamentar, Ricardo Nunes precisa prestar contas à sociedade por integrar a rede de sustentação do bolsonarismo.

"O presidente Lula venceu as eleições de forma inquestionável, mas o bolsonarismo, impregnado pelo golpismo, não desistiu. Ricardo Nunes fez parte disso e agora não pode se esconder", declarou a vereadora. A estratégia da oposição aposta na mobilização popular e na ocupação das ruas para pressionar os parlamentares a aprovarem o avanço do processo de impeachment no plenário da Câmara Municipal.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

As tensões em torno da gestão municipal de São Paulo escalaram desde o período eleitoral, quando centenas de denúncias de assédio trabalhista e retaliação política começaram a ser registradas pelo Ministério Público do Trabalho. A recusa da Prefeitura em cumprir ordens judiciais relativas à gratuidade e ampliação do transporte público no segundo turno já havia gerado fortes críticas de movimentos sociais e entidades sindicais, culminando agora neste pedido formal de afastamento do chefe do Executivo municipal.