Boulos rechaça ajuste fiscal e afirma que agenda de Lula foi vitoriosa nas urnas

Ministro critica pressão por cortes em políticas sociais e reafirma compromisso com o projeto popular que venceu as eleições presidenciais.

Compartilhar
Boulos rechaça ajuste fiscal e afirma que agenda de Lula foi vitoriosa nas urnas
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, Folha de S.Paulo, R7, Terra, Valor Econômico). Novos desdobramentos a qualquer momento.

O ministro Guilherme Boulos declarou nesta terça-feira que a defesa de um ajuste fiscal focado em cortes de gastos sociais ignora o resultado das urnas. Em publicação nas redes sociais, o integrante do governo afirmou que a proposta de redução orçamentária, apelidada de “Tesouraço”, foi derrotada pela mobilização popular e pelo voto dos brasileiros.

Boulos referiu-se diretamente ao plano econômico defendido pelo candidato derrotado Flávio Bolsonaro, que propunha cortes de até R$ 200 bilhões anuais. Segundo o ministro, a agenda que venceu as eleições deve prevalecer sobre as propostas da Faria Lima, setor financeiro que ele associou à fuga de aliados do ex-candidato para o exterior.

A disputa pelo orçamento e o futuro das políticas sociais

O governo Lula mantém o compromisso de preservar programas como o Bolsa Família e o Gás do Povo. Além disso, a gestão planeja expandir o programa Pé-de-Meia para estudantes universitários e consolidar o Minha Casa Minha Vida. A criação do Pix MEI também figura como prioridade para o quarto mandato do presidente.

Enquanto Boulos defende a manutenção dos gastos, outros setores do governo buscam equilíbrio nas contas. A ex-ministra Simone Tebet defendeu recentemente a criação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para conter despesas. Tebet argumenta que o governo deve aproveitar o final da atual legislatura para aprovar cortes que não atinjam diretamente os benefícios sociais.

A discussão sobre o ajuste fiscal ocorre em um momento de articulação intensa no Congresso. O governo prepara o envio de um pacote de medidas econômicas, que inclui o Orçamento de 2027 e as Medidas Provisórias das apostas esportivas e do novo Desenrola. O Desenrola é um programa voltado para a renegociação de dívidas de pessoas físicas inadimplentes, ou seja, quem está com o nome sujo na praça.

Ministro Guilherme Boulos defende manutenção de investimentos sociais em pronunciamento.
Ministro Guilherme Boulos defende manutenção de investimentos sociais em pronunciamento. (Foto: Gazeta Estrela Vermelha)

Articulação política e o papel do Congresso

O governo Lula negocia com lideranças do Centrão, como Alcolumbre e Motta, o encaminhamento de pautas prioritárias. Entre os temas em debate está a PEC da Segurança Pública, que amplia a participação da União na coordenação policial. O texto já passou pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, mas aguarda votação em plenário.

A lista de prioridades do governo também envolve nomeações para órgãos estratégicos, como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Essas agências reguladoras são fundamentais para fiscalizar o mercado financeiro e a proteção de dados dos cidadãos.

A pressão por cortes fiscais encontra resistência na base aliada, que prioriza a manutenção do poder de compra e dos serviços públicos. O ministro Boulos reforçou que existem duas formas de ajustar as contas: cortando privilégios no andar de cima ou retirando direitos do trabalhador. Ele garantiu que a gestão atual não adotará o caminho que prejudica a classe trabalhadora.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

O debate fiscal brasileiro é marcado historicamente pela tensão entre a responsabilidade com as metas de déficit primário — a diferença entre o que o governo arrecada e o que gasta antes de pagar juros da dívida — e a necessidade de investimento social. A vitória de Lula em 2026 consolidou um projeto de desenvolvimento baseado no fortalecimento do Estado, que agora enfrenta o desafio de conciliar essa agenda com as pressões do mercado financeiro e a composição do Congresso.