Ajuste fiscal é necessário e temos 'gordura' para cortar, diz Simone Tebet

Ministra do Planejamento defende revisão de gastos públicos e PEC de contenção para atingir superávit de 2% em quatro anos, sem afetar benefícios sociais.

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Ajuste fiscal é necessário e temos 'gordura' para cortar, diz Simone Tebet
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A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, afirmou nesta semana que o governo federal possui margem para realizar um ajuste fiscal rigoroso. Segundo a ministra, o Brasil apresenta excesso de gastos desnecessários que podem ser cortados sem prejuízo aos benefícios sociais da população.

Tebet declarou que os problemas financeiros do país cabem dentro do Orçamento da União. A estratégia defendida pela titular da pasta envolve uma revisão profunda das despesas públicas. O objetivo central é equilibrar as contas sem retirar direitos adquiridos dos cidadãos.

O cardápio de medidas na mesa do Planalto

A ministra revelou que equipes econômicas de diversos ministérios já prepararam um conjunto de medidas prontas para serem apresentadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Tebet classificou o momento atual como uma janela de oportunidade única para implementar mudanças estruturais no gasto público.

A proposta inclui a criação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) focada na contenção de despesas. O texto deve detalhar quais gastos podem ser reduzidos imediatamente. A ministra enfatizou que o governo precisa enfrentar o desperdício, a corrupção e privilégios que drenam recursos que deveriam servir à sociedade.

Tebet citou especificamente as renúncias fiscais — quando o governo abre mão de arrecadar impostos de certos setores — como um dos pontos principais para revisão. A meta estabelecida pela equipe econômica é alcançar um superávit primário de 2% em um período de quatro anos. O superávit, na prática, significa que o governo deve arrecadar mais do que gasta para abater a dívida pública.

Ministra Simone Tebet defende revisão de gastos e combate a privilégios no orçamento federal.
Ministra Simone Tebet defende revisão de gastos e combate a privilégios no orçamento federal. (Foto: Agência Brasil)

Ajustes no arcabouço e a realidade do orçamento

O arcabouço fiscal, que é a regra que limita o crescimento dos gastos federais, também passará por ajustes finos. A ministra defende que a revisão das regras atuais é essencial para garantir a sustentabilidade das contas públicas a longo prazo. O foco é manter o equilíbrio financeiro enquanto se preserva o investimento em políticas públicas essenciais.

A fala de Tebet ocorre em um momento de debate intenso dentro do governo sobre a necessidade de cortes. Enquanto alas do Executivo divergem sobre a intensidade do ajuste, a ministra reforça que o país não pode mais sustentar políticas que perderam sua finalidade original. A conta do ajuste, segundo a lógica apresentada, deve recair sobre o desperdício estatal e não sobre o bolso do trabalhador.

O cenário político exige agora uma articulação direta com o Congresso Nacional. Como se trata de uma PEC, a proposta precisará de apoio qualificado de deputados e senadores para ser aprovada. A pressão por resultados fiscais claros aumenta à medida que o mercado financeiro e a sociedade cobram transparência e responsabilidade com o dinheiro público.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

O debate sobre o ajuste fiscal tem sido o principal ponto de tensão na gestão atual, confrontando a necessidade de equilíbrio das contas públicas com as promessas de campanha de expansão de investimentos sociais. Historicamente, o Brasil enfrenta dificuldades em controlar despesas obrigatórias, o que levou à criação do arcabouço fiscal para tentar substituir o antigo teto de gastos. A fala de Tebet sinaliza uma tentativa de pacificar a ala econômica do governo em torno de uma agenda de austeridade seletiva.