PF investiga rota alternativa usada por Flávio Bolsonaro para fugir para a Argentina
Polícia Federal apura se o ex-senador usou avião privado para entrar na Argentina, contrariando a versão de travessia terrestre.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Agência Brasil, G1, GOV.BR, Poder360, UOL Notícias). Novos desdobramentos a qualquer momento.
A Polícia Federal investiga a suspeita de que o senador derrotado Flávio Bolsonaro (PL) entrou na Argentina por meio de um avião privado, e não cruzando a fronteira por terra entre Foz do Iguaçu, no Paraná, e Puerto Iguazú, no norte do país vizinho, conforme afirmam as autoridades argentinas. A corporação informou que representou ao Supremo Tribunal Federal no dia 25 de outubro pela adoção de medidas cautelares, incluindo a apreensão de passaportes e a proibição de saída do país, após identificar risco concreto de fuga do parlamentar.
De acordo com o levantamento dos investigadores, não há registro oficial de saída do político pelos postos de controle migratório brasileiros. A Direção Nacional de Migrações da Argentina havia divulgado um comunicado alegando que o ex-candidato à Presidência e seus familiares ingressaram no território argentino por via terrestre às 22h50 de uma terça-feira, menos de uma hora antes do embarque em um voo com destino aos Estados Unidos. No entanto, a Polícia Federal aponta inconsistências logísticas nessa narrativa.
A logística da viagem e os rastros da fuga
Os peritos da Polícia Federal destacam que uma viagem de carro partindo de Brasília até Foz do Iguaçu levaria mais de 18 horas ininterruptas. Por causa desse longo percurso, a hipótese mais plausível levantada pelos investigadores é o uso de aeronaves para deixar a região central do país. A suspeita central é de que um avião particular transportou Flávio Bolsonaro diretamente de Brasília até Buenos Aires. Na capital argentina, ele teria seguido para Puerto Iguazú, local de onde decolou rumo aos Estados Unidos na noite de terça-feira (27).
Nessa mesma linha de apuração, a corporação busca esclarecer como ocorreu o deslocamento interno entre a localidade de San Fernando e Puerto Iguazú, uma distância superior a 1.200 quilômetros. Percorrer essa extensão rodoviária exigiria pelo menos 13 horas de viagem, enquanto o transporte aéreo reduz o tempo para cerca de duas horas. Dados de monitoramento indicam que cerca de 927 mil pessoas acompanharam em tempo real o voo que levou o ex-senador para solo norte-americano, gerando forte repercussão internacional e reações de parlamentares democratas contra a concessão de visto emitida pela gestão de Donald Trump.
Investigações criminais e ordens judiciais descumpridas
Flávio Bolsonaro é alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, respondendo por suspeita de lavagem de dinheiro ao lado do advogado Willer Tomaz. Durante as diligências, a Polícia Federal encontrou e-mails que comprovam o cadastro do político como usuário master em uma conta bancária vinculada a uma empresa do advogado. Foi no âmbito desse processo que o STF determinou a entrega imediata dos passaportes do investigado, ordem judicial que acabou sendo abertamente descumprida.
Em nota oficial, a Polícia Federal esclareceu que a existência de restrições documentais, por si só, não converte o investigado na condição de foragido da Justiça, tampouco autoriza a realização imediata de prisões arbitrárias, vigilância permanente sem aval judicial ou outras medidas cautelares extremas. A atuação da corporação permanece estritamente restrita aos limites da legislação brasileira e ao cumprimento rigoroso das determinações expedidas pela Suprema Corte, enquanto o cerco político e jurídico se fecha sobre os passos do clã Bolsonaro.
A fuga de Flávio Bolsonaro para o exterior ocorre em meio ao cerco judicial imposto por investigações de corrupção e lavagem de dinheiro no STF. A manobra repete estratégias de imunização diplomática adotadas por aliados políticos que buscam escapar da responsabilização perante a Justiça brasileira.