OAB-ES demite advogada após vídeo com ameaças a eleitores do PT
Julia Amorim foi desligada da instituição após publicar gravação nas dependências do órgão afirmando que iria 'dificultar a vida' de petistas no ambiente de trabalho.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (A Gazeta, Blog do Elimar Cortes, ES Hoje, Folha Vitória, G1). Novos desdobramentos a qualquer momento.
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Espírito Santo (OAB-ES) confirmou, nesta segunda-feira (28), o desligamento de uma advogada que atuava como colaboradora no órgão. A decisão ocorreu após a circulação de um vídeo nas redes sociais onde a profissional, identificada como Julia Amorim, declarou que pretendia "dificultar a vida" de colegas de trabalho que apoiam o Partido dos Trabalhadores (PT).
A gravação foi realizada nas dependências da própria instituição. No vídeo, a advogada utiliza termos ofensivos para se referir aos eleitores do partido, afirmando que muitos deles "não trabalham" e desejam "mamar na teta dos outros". A profissional, que se apresentava em seu perfil como assessora jurídica e especialista em relações empresariais no mercado digital, afirmou que sua postura de perseguição política começaria imediatamente.
O posicionamento da OAB-ES e o repúdio institucional
Em nota oficial, a OAB-ES repudiou as declarações da ex-colaboradora. A entidade reforçou que é uma instituição apartidária, ou seja, que não possui vínculo ou preferência por partidos políticos. A Ordem destacou ainda que sua missão é a defesa da democracia, da pluralidade de ideias e da dignidade humana.
A diretoria da Ordem ressaltou que, embora respeite a liberdade de expressão de seus colaboradores, não tolera manifestações discriminatórias. Segundo o órgão, ataques que diminuem pessoas em razão de suas convicções políticas violam os princípios éticos da advocacia. Após a repercussão negativa do conteúdo, Julia Amorim desativou seu perfil na rede social Instagram.
Críticas a dirigentes de instituições de ensino
O episódio ganhou contornos mais amplos ao envolver figuras do meio acadêmico capixaba. A OAB-ES também manifestou repúdio a declarações feitas por Antonio Abikair, diretor-geral da Faculdade de Direito de Vitória (FDV). O dirigente havia utilizado suas redes sociais para criticar profissionais que apoiam o PT e a população LGBTQIAPN+.
Em resposta à repercussão, a FDV publicou uma nota oficial esclarecendo que as opiniões de seus acadêmicos e dirigentes não representam o posicionamento da instituição. A faculdade enfatizou que preza pela diversidade e pelo respeito no ambiente educacional. O caso reforça o clima de tensão política que ainda permeia as relações profissionais e institucionais no estado.
O ambiente de trabalho no Brasil tem sido palco de crescentes conflitos motivados por divergências políticas desde o acirramento das eleições presidenciais de 2022. Casos de assédio político, onde superiores ou colegas tentam constranger subordinados por suas escolhas ideológicas, são monitorados pelo Ministério Público do Trabalho, que classifica tais condutas como violação aos direitos fundamentais do trabalhador.