Moraes mira passaporte de Flávio Bolsonaro e PF expõe mensagens criptografadas
Polícia Federal aponta laços de Flávio Bolsonaro com operador de apostas e ministro Alexandre de Moraes barra passaporte do senador.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, Estadão, Folha de S.Paulo, G1, UOL Notícias). Novos desdobramentos a qualquer momento.
A Polícia Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal uma representação de dezesseis páginas que detalha os laços do senador Flávio Bolsonaro com o advogado Willer Tomaz. O documento foi protocolado às 21h11 do último domingo, apenas sete minutos após o Tribunal Superior Eleitoral confirmar a derrota do parlamentar na disputa pela Presidência da República. A investigação apura crimes de lavagem de dinheiro, ocultação de recursos e irregularidades no financiamento de um filme biográfico.
Diante do material reunido pelos delegados Victor Arruda de Oliveira e Nathália Ribeiro Leite Silva, o ministro Alexandre de Moraes determinou a apreensão do passaporte do senador e a proibição de sua saída do país. Os investigadores apontam que o advogado Willer Tomaz está no exterior desde agosto, morando em Miami sem previsão de retorno. Os dados reforçam suspeitas de que o grupo mantinha esquemas financeiros complexos voltados para ocultar capitais de casas de apostas estrangeiras.
Mensagens autodestrutivas e aplicativo cifrado
O relatório da corporação policial destaca que Flávio Bolsonaro figurava entre os contatos favoritos de Willer Tomaz em um aplicativo de mensagens voltado para manter total sigilo. A ferramenta utiliza criptografia avançada e autodestruição do conteúdo após uma única leitura, apagando os registros tanto dos servidores da empresa quanto dos celulares dos usuários. O sistema também bloqueia capturas de tela, impedindo qualquer salvamento ou impressão dos diálogos.
Segundo os delegados federais, o uso de tal tecnologia revela o propósito deliberado de afastar a possibilidade de reconstituição futura dos diálogos entre o político e o operador financeiro. Essa prática ganha peso jurídico quando cruzada com os indícios de que o senador teve acesso privilegiado à conta bancária da Alcazar Holding. A empresa é diretamente ligada ao advogado investigado e serve de eixo central para apurar o fluxo de recursos ilegais das bets.
Investigações no Supremo Tribunal Federal
O mandato parlamentar de Flávio Bolsonaro termina em 2027, mas os inquéritos continuam tramitando no Supremo devido à jurisprudência do tribunal sobre o foro privilegiado firmada em 2025. Além do caso envolvendo o advogado e as casas de apostas, o senador responde por suspeitas de desvios no financiamento de um filme sobre seu pai, chamado de Dark Horse. Os repasses financeiros para a produção vieram de Daniel Vorcaro, também alvo das apurações em andamento na corte.
A defesa do senador sustenta que a relação de amizade com Willer Tomaz é legítima e classifica as acusações como ilações sem fundamento factual. Enquanto isso, o noticiário internacional aponta rotas de saída do Brasil rumo aos Estados Unidos, o que motivou a pressa da Polícia Federal em pedir o bloqueio de documentos de viagem. O cerco jurídico aperta contra figuras da extrema direita que tentam blindar o patrimônio acumulado durante anos de mandatos públicos.
As investigações contra o clã Bolsonaro avançam no STF em meio a inquéritos que apuram desde esquemas de rachadinhas até o financiamento ilegal de produções audiovisuais e redes de apostas. A ofensiva da Polícia Federal demonstra o cerco às finanças ocultas de políticos derrotados nas urnas.