Flávio Bolsonaro ignora ordem do STF e foge do Brasil após derrota eleitoral
Senador descumpriu proibição de deixar o país e viajou para o Equador. Em 2018, parlamentar ironizou apreensão do passaporte de Lula nas redes sociais.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Congresso em Foco, O Cafezinho, O GLOBO, Poder360, Revista Fórum). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil na madrugada desta quarta-feira (28), descumprindo uma ordem judicial direta do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Alexandre de Moraes havia determinado na segunda-feira (26) a retenção dos passaportes do parlamentar e proibido sua saída do território nacional. A decisão integra investigações sobre suposta lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz.
Dados da Direção Nacional de Migrações da Argentina confirmam que Flávio, sua esposa e suas duas filhas cruzaram a fronteira pela província de Misiones às 22h50 de terça-feira. Às 23h30, o grupo embarcou em um voo privado da empresa Baires Fly S.A. Com destino a Guayaquil, no Equador. Aliados indicam que o destino final seria os Estados Unidos, onde reside seu irmão, Eduardo Bolsonaro.
O espelho do passado e a ironia das redes
A fuga do parlamentar trouxe à tona uma postagem feita pelo próprio Flávio em 25 de janeiro de 2018. Na ocasião, ele celebrou a decisão de um juiz de primeira instância que apreendeu o passaporte do então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Jair Bolsonaro avisou! Ainda não foi dessa vez que Luladrão fugiu para escapar da prisão", escreveu o senador no X, antigo Twitter.
O humorista Antonio Tabet resgatou a publicação na última terça-feira, ironizando a mudança de postura do clã Bolsonaro. O conteúdo viralizou rapidamente entre internautas que comparam a conduta do senador com a trajetória do atual presidente. Enquanto Flávio optou por ignorar uma ordem judicial e abandonar o país, Lula permaneceu no Brasil durante todo o processo da Operação Lava Jato, cumprindo 580 dias de prisão antes de ter suas condenações anuladas pelo STF por parcialidade judicial.
Investigações e o descumprimento da ordem
O senador é alvo de dois inquéritos distintos no Supremo Tribunal Federal. O primeiro investiga suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas, em parceria com Willer Tomaz. O segundo apura o financiamento do filme "Dark Horse", obra que narra a trajetória política de seu pai, Jair Bolsonaro. A ordem de entrega dos documentos, que deveria ter sido cumprida na terça-feira, foi ignorada pelo senador.
Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio, afirmou que a legenda não foi comunicada sobre a viagem. Segundo Marinho, o senador enviou uma mensagem na manhã de terça-feira dizendo apenas que iria "dar um tempo". Fontes do governo americano confirmaram à imprensa internacional que o senador está em trânsito rumo à Flórida e que o governo dos Estados Unidos concederá vistos para a família, apesar da situação jurídica pendente no Brasil.
A saída de Flávio Bolsonaro ocorre apenas dois dias após sua derrota nas eleições presidenciais. O padrão de evasão para o exterior em momentos de crise jurídica tornou-se uma marca do clã, que busca refúgio em jurisdições aliadas para evitar o enfrentamento direto com o Poder Judiciário brasileiro.