Flávio Bolsonaro se autoproclama 'presidente eleito' e agradece apoio de Milei e Trump após fuga para os EUA
Senador contesta resultado das urnas, cita fraude sem provas e anuncia liderança da oposição a partir do exterior após deixar o Brasil.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Estadão, Gazeta do Povo, O GLOBO, SBT News, UOL Notícias). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou-se hoje o "verdadeiro presidente eleito do Brasil" em um comunicado divulgado após sua saída do país rumo aos Estados Unidos. O parlamentar agradeceu publicamente o suporte dos presidentes Javier Milei, da Argentina, e Donald Trump, eleito nos EUA, por oferecerem abrigo e segurança jurídica à sua família.
Em sua primeira manifestação após a viagem, Flávio negou ter fugido do território nacional. Ele classificou sua ida ao exterior como uma estratégia para escapar de um "regime de exceção". O senador afirmou que pretende liderar a oposição ao atual governo brasileiro a partir de solo americano, alegando que sua permanência no Brasil resultaria em prisão ou censura.
A contestação das urnas e o brasão oficial
O texto enviado à imprensa trouxe uma polêmica visual logo no cabeçalho. Flávio utilizou uma versão do brasão da República com a inscrição "Estados Unidos do Brazil", grafada com a letra Z. O documento oficial brasileiro utiliza a grafia "República Federativa do Brasil".
O parlamentar questionou o resultado das eleições e alegou a existência de uma "fraude eleitoral". Ele criticou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que estendeu o horário de votação em duas horas no último domingo. A medida ocorreu após relatos de interrupções no transporte público em diversas capitais.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidido pelo ministro Kassio Nunes Marques, indicam que a extensão do horário teve impacto mínimo. Apenas 34.993 eleitores votaram entre 17h e 19h, o que representa 0,027% do total de votos computados no segundo turno. O senador, contudo, sustenta que o processo foi controlado por uma "organização criminosa".
Estratégia de oposição no exílio
Flávio Bolsonaro citou figuras históricas para justificar sua permanência fora do país, como Rui Barbosa e Charles de Gaulle. Ele também mencionou líderes políticos atuais, como Juan Guaidó e María Corina Machado, para comparar sua situação à de opositores que atuaram no exílio. O senador afirmou que, fora do Brasil, terá a liberdade necessária para dizer o que seus aliados internos não podem.
O parlamentar dirigiu uma mensagem direta ao senador Rogério Marinho (PL-RN), seu candidato à presidência do Senado. Flávio declarou que assumirá os riscos que os aliados no Brasil não podem correr no momento. A movimentação gerou reações distintas entre parlamentares do PL, com divisões internas sobre a viabilidade de criar o que alguns chamam de "governo no exílio".
Enquanto aliados debatem os próximos passos, o senador reforçou que não há mandado de prisão expedido contra ele. Ele insiste que sua saída foi uma decisão política calculada para evitar o "teatro institucional" que, segundo ele, domina a Suprema Corte brasileira. A oposição agora observa se a estratégia de Flávio terá força para mobilizar sua base eleitoral de 60 milhões de pessoas a partir do exterior.
O clima político brasileiro atingiu novo patamar de tensão após a derrota eleitoral da família Bolsonaro. O ex-presidente Jair Bolsonaro já enfrentava restrições judiciais severas, incluindo a inelegibilidade e processos no STF, o que isolou o grupo politicamente. A fuga de Flávio para os EUA marca o ápice do rompimento do clã com as instituições republicanas, transformando o exílio em uma nova frente de batalha ideológica internacional.