Ibovespa e dólar fecham em queda após ressaca eleitoral
Mercado financeiro busca ajuste após disparada cambial e tombo da bolsa no dia seguinte à reeleição de Lula. Investidores cobram sinalizações fiscais.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (G1, Nexo Jornal, O POVO, UOL Economia, Valor Investe). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O mercado financeiro brasileiro encerrou o dia em um movimento de correção nesta terça-feira, 27 de outubro de 2026. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, fechou em baixa de 0,51%, atingindo 175.710 pontos. O dólar comercial também recuou 1%, cotado a R$ 5,35.
A sessão marcou uma tentativa de estabilização após o choque da véspera. Na segunda-feira, a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva provocou uma reação intensa dos investidores. O dólar saltou 8,21% e o Ibovespa despencou 13,88%, na maior queda diária desde o início da pandemia de Covid-19, em março de 2020.
A busca por credibilidade fiscal
Analistas apontam que a queda de hoje reflete um ajuste técnico, mas o clima permanece de cautela. O mercado aguarda agora os primeiros passos do governo eleito. A principal cobrança dos investidores gira em torno da política fiscal, ou seja, o compromisso do governo em não gastar mais do que arrecada para manter a dívida pública sob controle.
Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, destaca que a trajetória da dívida e a credibilidade das metas fiscais serão os pilares da confiança econômica. A possibilidade de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para ampliar o contingenciamento — o bloqueio temporário de verbas do orçamento para evitar gastos excessivos — é vista como um sinal positivo pelo setor financeiro.
O mercado também monitora a composição da equipe ministerial. A escolha do ministro da Fazenda é o ponto mais sensível. O nome do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), circula nos bastidores como um possível candidato técnico, embora sua saída do governo estadual apresente dificuldades políticas e administrativas.
Desafios de governabilidade no Congresso
A relação com o Legislativo é outro fator que pesa nas decisões dos investidores. O Congresso eleito possui uma inclinação conservadora e de oposição ao governo petista. A capacidade de diálogo de Lula com partidos de centro será testada logo nos primeiros meses para garantir a aprovação de reformas e a governabilidade do país.
No campo das empresas, o setor bancário sentiu o peso do cenário. O Banco do Brasil (BBAS3), que derreteu 29% ontem, voltou a fechar em queda hoje após ensaiar uma recuperação durante o pregão. No lado positivo, a construtora Tenda (TEND3) liderou as altas com 9,3%. A Natura (NATU3) registrou a maior queda, recuando 6,4%.
O cenário internacional também influenciou a bolsa. Em Nova York, o índice Dow Jones ficou estável, enquanto o S&P 500 subiu 0,6% e o Nasdaq avançou 1%. O preço do petróleo Brent, referência global, caiu 1,38%, sendo negociado a US$ 113,81 o barril. A queda da commodity pressiona ações de petroleiras e reflete preocupações com a oferta global.
A volatilidade recente é fruto direto da transição de poder após uma eleição marcada por forte polarização. O mercado financeiro havia precificado uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL), o que gerou um efeito de surpresa com a reeleição de Lula. A instabilidade atual reflete a necessidade de o novo governo definir sua agenda econômica e o desenho da equipe ministerial para acalmar os agentes do mercado.