Bolsa fecha em queda de 0,51% nesta terça, ainda sob eco da eleição
Ibovespa recua 0,51% em sessão volátil e bancos reduzem exposição ao Brasil após reeleição de Lula, enquanto investidores buscam proteções.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Estadão, InfoMoney, Metrópoles, UOL Economia, Valor Econômico). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O mercado financeiro brasileiro registrou mais um dia de instabilidade nesta terça-feira (28). O principal índice da bolsa de valores brasileira, o Ibovespa, fechou em baixa de 0,51% em uma sessão marcada por forte volatilidade e reposicionamento de investidores estrangeiros e locais. O resultado mantém o ambiente de cautela que tomou conta dos negócios após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Apesar de o recuo desta terça-feira ter sido moderado se comparado ao pânico inicial visto logo após o pleito, a pressão sobre os ativos domésticos continua evidente. Grandes instituições financeiras globais e nacionais revisaram suas estratégias para o país. O objetivo é proteger carteiras contra riscos fiscais e a perspectiva de manutenção de juros elevados por um período mais longo do que o inicialmente previsto pelo mercado.
Bancos globais reduzem exposição ao risco brasileiro
A reeleição do presidente Lula desencadeou uma rápida revisão de estratégias em Wall Street e na Faria Lima. Instituições de peso como Citi, BCA Research, Bradesco BBI e Morgan Stanley reduziram suas recomendações para ativos brasileiros. Os analistas citam o aumento das incertezas fiscais e a deterioração da relação entre risco e retorno no país como os principais motivos para a mudança de postura.
A guinada ocorre após uma forte correção nos preços dos ativos domésticos. Nas semanas anteriores, o Ibovespa registrou sua maior queda diária desde o período da pandemia, tombando 13,88%. Na mesma época, o câmbio sofreu forte desvalorização e o dólar disparou 8,2%. Para os estrategistas do mercado, o resultado eleitoral diminuiu a expectativa de adoção de uma agenda econômica mais ortodoxa e elevou as dúvidas sobre a dívida pública.
O banco norte-americano Citi encerrou sua recomendação overweight — posição acima da média do mercado, equivalente a recomendação de compra — para o Brasil, além de retirar sua posição comprada no real. No mesmo sentido, a BCA Research rebaixou as ações brasileiras de neutras para underweight, equivalente a recomendação de venda. A casa argumenta que o país enfrentará crescimento econômico mais fraco, pressões inflacionárias persistentes e uma dinâmica cada vez mais difícil para a dívida do governo.
Estratégias de proteção e foco em empresas exportadoras
Apesar do cenário desfavorável apontado pelas grandes bancas de investimento, os analistas não abandonaram totalmente o mercado brasileiro. A estratégia passou a ser a busca por proteção em companhias menos dependentes do consumo interno e mais voltadas para o comércio exterior. O Morgan Stanley reduziu a recomendação para ações brasileiras para equal-weight, o equivalente a neutro, mas evitou classificar o país na categoria de venda.
A justificativa para evitar o pessimismo total é o peso expressivo de empresas exportadoras e dos grandes bancos privados no mercado acionário nacional, o que ajuda a limitar perdas severas nos lucros corporativos. O próprio Morgan Stanley aumentou posições em gigantes como Vale (VALE3), Embraer (EMBJ3) e JBS (JBSS32), além de recolocar a Suzano (SUZB3) em sua carteira de investimentos recomendados.
Essas companhias tendem a lucrar com um dólar mais alto e dependem do ciclo global de commodities, blindando-se das turbulências da economia interna. Enquanto isso, o mercado monitora de perto os próximos passos da equipe econômica do governo para conter o avanço do endividamento público e acalmar os ânimos dos investidores que pagam a conta da volatilidade.
A relação entre o mercado financeiro e o governo federal tem sido marcada por forte tensão desde o período eleitoral de 2026. Investidores cobram reiteradamente o cumprimento de metas fiscais rigorosas e cortes de gastos públicos para conter a inflação e estabilizar a cotação do dólar, enquanto a base governista defende investimentos sociais e o papel indutor do Estado na economia nacional.