Banco Central descarta risco sistêmico, mas admite inadimplência recorde desde 2012

Relatório semestral aponta resiliência bancária enquanto famílias e empresas enfrentam maior dificuldade para pagar dívidas em um cenário de juros altos.

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Banco Central descarta risco sistêmico, mas admite inadimplência recorde desde 2012
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Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, CartaCapital, InfoMoney, NeoFeed, Poder360). Novos desdobramentos a qualquer momento.

O Banco Central divulgou nesta terça-feira (27.out.2026) o Relatório de Estabilidade Financeira referente ao primeiro semestre deste ano. A autarquia garante que o Sistema Financeiro Nacional permanece resiliente e rentável, apesar da deterioração nos indicadores de pagamento de dívidas. O documento oficial, que serve como termômetro para a saúde dos bancos brasileiros, reconhece que os ativos problemáticos atingiram o maior nível desde 2012.

Os ativos problemáticos são, na prática, empréstimos que os bancos concederam e que agora possuem alto risco de não serem pagos pelos clientes. O BC afirma que a inadimplência teria subido mesmo sem alterações nas regras contábeis feitas em 2025. O cenário atual exige cautela, segundo a autoridade monetária, devido à desaceleração do financiamento à economia real e à moderação da atividade econômica brasileira.

O peso do endividamento nas famílias e empresas

O crédito bancário para as famílias arrefeceu nas carteiras de maior risco, enquanto o financiamento para micro, pequenas e médias empresas também perdeu fôlego. O Banco Central destaca que a probabilidade de calote, conhecida tecnicamente como probabilidade de default, continua pressionada para o segundo semestre de 2026. A situação é mais crítica no crédito voltado às pessoas físicas, onde o uso do cartão de crédito mantém taxas de expansão elevadas e preocupantes.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, confirmou que novas medidas de proteção ao consumidor serão anunciadas ainda este ano. O foco da autarquia é evitar que pessoas já endividadas no rotativo do cartão caiam em um ciclo de juros impagáveis. A partir de 31 de março de 2027, novas regras sobre propagandas e oferta ativa de crédito entram em vigor. Em 1º de julho, outras resoluções focadas em transparência e proteção contra ofertas abusivas passam a valer para todo o mercado.

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, em coletiva sobre o sistema financeiro.
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, em coletiva sobre o sistema financeiro. (Foto: Gazeta Estrela Vermelha)

Novas regras para o crédito via Pix

O Banco Central também oficializou mudanças estruturais no crédito associado ao Pix. As resoluções 601, 602 e 603, publicadas em 23 de outubro, integram o crédito via Pix ao sistema financeiro tradicional. Na prática, isso significa que o crédito concedido no momento de um pagamento instantâneo será monitorado pelo regulador e aparecerá no painel de dívidas do consumidor. O objetivo é aumentar a segurança jurídica e a previsibilidade para quem compra e para quem vende.

A norma obriga as instituições financeiras a identificar claramente as operações de crédito vinculadas ao Pix. Até então, esse tipo de empréstimo crescia sem estatísticas próprias, o que dificultava a visão real do endividamento das famílias. Agora, o crédito embutido no pagamento passa a ser visível para o BC, permitindo um controle mais rigoroso sobre o risco sistêmico. O lojista recebe o valor à vista, enquanto o risco de crédito permanece integralmente com a instituição financeira que autorizou a operação.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

O debate sobre a regulação do Pix Parcelado arrasta-se desde 2025, quando o BC optou por não intervir diretamente no produto. A mudança de postura reflete a necessidade de conter o avanço do endividamento das famílias em um cenário de juros restritivos. Historicamente, o BC utiliza o Relatório de Estabilidade Financeira para sinalizar ao mercado que, apesar da inadimplência crescente, os bancos possuem capital suficiente para absorver perdas sem comprometer o funcionamento da economia.